Não posso dizer com clareza de que modo o Teatro entrou em minha vida. Não guardo a certeza do momento no qual diante do palco desejei estar nele - ou atrás dele. Mas posso dizer que isso antecedeu meu eterno romance com a Literatura e sucedeu o calor do Cinema, tendo acontecido, portanto, por volta dos meus seis ou sete anos, quando assistia aos ensaios das minhas primas para as peças amadoras da igreja.
Até que em alguma apresentação - um musical! - faltou ator para o papel de um anjo. Uma tia conversou com as pessoas responsáveis pelos espetáculos da igreja e dessa forma, mesmo sem meus pais e eu congregarmos qualquer denominação, fui escalada para o papel. Não havia concorrência, claro.
Comecei assim: como um anjo. E eu tinha uma fala! Uma frase a ser dita antes da primeira melodia dos anjos. Por conta de problemas no som ninguém ouviu, mas sei que não me importei. Ademais, dancei duas ou três canções.
Depois disso me deixei envolver em pequenas apresentações na escola: representei uma árvore muda, a Gralha Azul, uma árvore falante, uma vaca, a galinha de "Saltimbancos", entre outros. Na quarta série fui escalada para uma pata, mas o desleixo do diretor me desmotivou. Reencontrei o teatro aos 14 anos, novamente numa instituição de ensino. Mas sem espetáculos... Até agora!
No próximo mês estarei "em cartaz". Que coisa bonita de dizer! Como não percebi antes o sabor dessa expressão? Talvez por sempre ter feito peças de apresentação única: agora serão três dias seguidos encarando o público. Com música, sem musical. E, pela primeira vez, meu papel é humano. Nada de seres espirituais, vegetais ou animais irracionais! Sou, também, homem: meu personagem é D. Leonato, governador de Messina.
"Muito Barulho por Nada", na qual atuo, é uma das três comédias de Shakespeare a compor o espetáculo de uma hora e meia que abrirá a Mostra de Teatro da UFRJ nos dias 12, 13 e 14 de Novembro, na Praia Vermelha (Rio de Janeiro), sempre às sete horas.
O dia de expor um ano intenso de trabalho está muito, muito perto. E agora, pensando no Teatro, sei que a Literatura tem seus motivos para sentir ciúmes. Apesar d'eu nunca tê-la traído.

Não acho que a Literatura tenha ciúmes do Teatro. Todo texto teatral é uma literatura... De qualquer forma, eu tenho ciúmes disso...
ResponderExcluirGosto mais da literatura e pronto. E eu quero ver fotos de sua apresentação.
Quando disse que a literatura sentia ciúmes falei (ciúmes) do meu envolvimento com o teatro. A última frase do texto deveria ajudar no entendimento dessa questão. ^^
ResponderExcluirEntendi, Le.
ResponderExcluirAliás, entendi que referia-se a você. Mas acabei tomando-a para mim.
Eu tenho ciúmes do teatro sendo mais valorizado que a literatura...