sexta-feira, 6 de novembro de 2009

FOGO! FOGO! FOGO!


Andava com um grupo de amigos pelo bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Não era uma manhã de beleza rara. Talvez o céu já soubesse o que viria a seguir. Num dado e inesperado momento escuto uma amiga gritar meu nome. Atendendo, vou até ela.
_Letícia, olha para baixo.

Não sou do tipo que acha que uma imagem sempre vale mais que mil palavras. Mas, nesse caso, vocabulário me falta. Veja você com seus olhos o que enxerguei com os meus. Eu mesma fotografei a cena para que mais tarde meus amigos e eu tivéssemos a certeza de que não se tratava de um devaneio coletivo.
Se precisar legenda: Dois livros dentro de um bueiro.

Antes fosse apenas o retrato de um descuido com as obras. Só que pairava ali, sobre aquele bueiro, alguma coisa muito mais profunda. Ele representava, diante do grupo que estava comigo (todos nós estudantes), a situação da educação no país.
Um dos livros, diga-se de passagem, era de Jean Piaget, genial pedagogo suíço que dedicou boa parte da vida ao estudo do desenvolvimento infantil nos processos de aprendizagem. Piaget emprestou seu nome a escolas, cursos e até sistemas de ensino.
Os livros são alicerce para a educação. Sobre eles erguemos as colunas do pensamento crítico, da criatividade, da reflexão sobre si e sobre o outro. Neles encontramos como abrigo o colo quase maternal da língua. Os de literatura, em especial, são envoltos por uma áurea de magia, fantasia.
O grande Lobato dizia que “um país se faz com homens e livros”. Nossos livros estão em bueiros e 33 milhões de pessoas no Brasil entre o analfabetismo e o analfabetismo funcional (2003).
Certa feita o poeta romântico Heinrich Heine escreveu que “onde se queimam livros, acaba-se por queimar homens”. Corrija-me se estiver errada, mas jogar livros em um bueiro ou simplesmente não lê-los - principalmente por parte de quem pode fazer isso - pesa tanto quanto queimá-los.

Meus amigos e eu, bem que tentamos resgatar os livros. Mas foram inúteis os nossos esforços. Pesou-me no peito uma dor de revolta ter que abandoná-los ali. Mais ainda por ter abandonado naquele dia o que eles representavam.
Há tempos chegou a hora de zelar pela educação brasileira, por seus livros, por suas pessoas. Um zelo que precisa partir do estudante, do professor, da família e, claro, dos governantes. Só assim conseguiremos abrir o bueiro. Não aquele do Jardim Botânico, mas o que aprisiona nossos livros em prateleiras. E quando os livros forem salvos eles abrirão mentes para que tenhamos um Brasil de pessoas iluminadas, e não carbonizadas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Não estamos sós



Solidão é aquilo que nos tira as pessoas de dentro pra fora.
Primeiro ficamos tão ocos que não nos damos conta de nossa própria presença. Depois vemos, ou julgamos ver, a ausência alheia. Pensamos que para enfrentar todos os males do mundo estamos sozinhos. Abre-se um buraco negro... E desejamos não ir de encontro a nada. Chegamos ao último estágio da solidão, aquele em que nos isolamos do mundo que uma vez nos abandonou. Mas isso não resolve.
Existem zilhões de motivos para sentir-se só... Dinheiro, família, emprego, sentimentos, estudos, doenças, medo, desilusões... Não nos encaixamos, não encontramos espaço, sofremos com a ignorância dos outros. Quem nunca sentiu isso na pele nos mais diferentes graus? Viver sob o sol e em sociedade implica conhecer a solidão.
Mas tenho que contar uma novidade. Algo maravilhoso e singelo capaz de fazer toda a diferença. É o seguinte: Você não precisa continuar só.
Sempre existiu e sempre existirá um amigo que deseja ajudar em troca de absolutamente nada. É muito provável que ele esteja ao seu lado e você não tenha notado. Você pode não conhecê-lo, não conversar com ele. Pode até ignorá-lo. Mas ele está disposto a te ajudar em troca de... Hm... Qual é mesmo o preço de uma amizade sincera?
Nenhum.
Promoção? Desconto?
Não.
Não há valor. Não há cobrança, juros, impostos, taxas, anuidades, mensalidades.
Tudo o que você precisa fazer é permitir-se amar e receber ajuda.
Quando aprender a amar um amigo ele estará contigo. E com esse amigo verdadeiro por perto você não vai mais sentir solidão.
A amizade sincera oferece chão para os seus vazios e consolo para seus tormentos. Ela pode não te manter respirando, mas insiste em apontar razões para que você continue a viver.
Confie em seu melhor amigo. Acredite que ele não se importa em sacrificar suas noites de sono para ouvir você. Seu melhor amigo quer o seu bem. Ele é capaz de ocupar o papel de irmão em seu coração. Creia que ele realmente o ama porque é isso que fazem os amigos. Se você ama seu amigo deve saber disso.
O meu melhor amigo faz milagres. Você precisa conhecê-lo!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

QUERIDO LEITOR

Num surto criativo produzi esse texto. Ele bem que poderia ser mesmo uma carta para alguém... Se por acaso acha que o destinatário seria você não deixe de me contar.
Ah, ignorem os erros gramaticais & cia. Não corrigi.

***

Querido leitor,
Peço desculpas por não ter escrito muito ultimamente. E mais ainda por não estar escrevendo bem.
Não pense que perdi o talento - se um dia achou que eu o tivesse. Também não fique imaginando que já não aprecio suas leituras... Na verdade, você é o grande motivador (pra não dizer o maior) do meu trabalho.
E nem por um instante se deixe levar pela idéia de que meu apego as palavras era chama passageira, paixão. Porque ninguém se apaixona por Literatura. Ou você a ama ou você não a ama, e pronto, ficamos nisso.
Acontece apenas que de alguns dias pra cá o que já era ruim no País dos Escritores decidiu piorar. Nossos direitos como cidadãos e seres-humanos estão em greve. A ordem, a justiça, a saúde, a compaixão, e até a educação tiraram férias. A honestidade, ninguém sabe, ninguém viu. Dizem que está presa numa conta da Suíça...
Por culpa disso, nós, escritores, temos perdido tempo demais tentando sobreviver. Vai ficando impossível gerar um bom texto(*).
Espero sinceramente que o País dos Leitores esteja melhor, embora algo me diga que tudo acaba dando no mesmo.
Seja como for, aguarde o retorno das figuras de linguagem, do estilo, da boa história, do grande pensamento, da frase marcante. Eles virão, pode apostar.
Até lá, fique com minha maior simpatia.
Le F. Leal.

PS.: (*) As letras todas organizadas são apenas uma gestação artística. O parto do texto vem do leitor, e o cordão umbilical só se corta quando a obra é criticada pelo público.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

PEQUENO RETRATO DA IRONIA

Era uma vez uma história maravilhosa. A primeira característica que a tornava especial era ter um início tremendamente original. Além disso, esse conto fantástico renegava o tradicional uso de vocábulos arcaicos cujo intuito primordial consistia no enobrecimento da narrativa através da complexidade léxica dos termos empregados, o que implicava um alto índice de comprometimento na interpretação textual por parte dos leitores de escassa experiência.
Era legal porque não ia direto ao ponto.
E porque evitava a construção de frases longas, cansativas, repetitivas, extensas, exaustivas, que insistiam em reafirmar e tornar a reafirmar o que já se sabia há tempos, porque já havia sido escrito e reescrito.
Ah... Era uma história admirável... Realmente esplendida... Todos deveriam ter um livro como aquele... Cheio de estilo... Ininterrupto... Sem pausas desnecessárias...
Sabe como é aquele livro que chama por seu olhar? Aquela obra-prima que toca fundo no coração? Aquela arte maior que arranca suas dúvidas? Conhece a literatura da certeza? Pois era aquela fábula, entende?
Um texto tão real como nenhum outro: Cheio de dragões, marcianos invasores, canções mágicas, objetos falantes, fadas, duendes e desenvolvimento educacional brasileiro.
Que linda obra aquela da capa amarela. De uma poesia musical sensacional! Não insistia na agonia da rima ideal. Falava e pronto, sem nenhum ponto de confronto que fosse de encontro ao estilo passional da prosa nacional.
Só há um ponto fraco nessa grande obra de arte. O final é tremendamente infeliz: O casal apaixonado se casa, a bruxa má vai embora e o leitor fica tentado a acreditar que tudo na vida é cor-de-rosa.
Não é.

***

Eu realmente de diverti muito escrevendo isso!
Então se você gostar de ler 1/3 do que eu gostei de escrever vou começar a pensar em sucesso...
...
Espero que todos consigam entender a "ironia" presente em cada parágrafo do texto.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PARA SEMPRE NUNCA MAIS

Nossos corpos voltarão ao pó de onde um dia vieram e serão eternamente isso - pó. A morte é apenas um retorno às origens. Caiam ou não as estrelas do céu, de nossos olhos, pele e boca nada restará.
Assim que pararmos para sentir o escorregar ligeiro dos segundos por nossas vidas perceberemos a tola felicidade do ar. Inspirar e expirar não é o suficiente, mas pode ser bastante. Pena que a maioria das pessoas descubra isso muito tarde.
É bom elaborar uma pequena lista de afazeres pré-além, como a personagem principal de Jenny Downham no livro "Antes de morrer".
Nesse momento consigo pensar em um único ítem. Algo que ninguém deveria deixar de fazer antes de partir: certificar-se de que tudo o que sente está claro para aqueles a quem ama.
Não sabendo como falar, escreva, cante, desenhe... Tente expressar-se de todas as formas imagináveis. Se ainda assim não conseguir, apenas encare os olhos dessas pessoas queridas. Não porque os olhos são os espelhos da alma, mas porque quando estiver arrependido por não ter dito "eu te amo" precisará da lembrança de que (ao menos) tentou.
Todos pensassem assim, a morte nunca mais seria a mesma. Deixaria de ser encarada como a última aventura do homem, tornando-se um grande motivo para a maior delas: A construção de um amor alvo em sentimentos e declarações.
Antes de temer seu descanso, repense sua grande aventura.
***
A produção desse texto foi tremendamente amadora. Ele não foi criado "inteiro", mas frase por frase. Depois as orações foram sendo justapostas, formando parágrafos. Algumas frases do original tiveram de ser apagadas (para não desviar o assunto principal do texto) e outras foram "coladas", formando uma só.
Espero que todos consigam ler e entender...
PS.: Escrevi isso ontem.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Eu, eu, eu...


Assim que cheguei em casa fui conversar com um amigo.
_Eu sou uma pessoa egoísta?
_Por que?
_Por tudo que você já conheceu de mim até hoje, eu sou uma pessoa egoísta?
_Não.
_Fala a verdade. Do fundo do seu coração. Mesmo que eu fique muito triste!
_Verdade!

Mas isso não prova nada. Toda essa conversa não prova que eu não sou uma pessoa má. Egoísmo tem muito a ver com maldade.

Depois, em conversa com minha mãe...
_Eu estou certa, mãe?! Ou eu estou errada?
_...
_Mãe!
_Ah, sei lá, Letícia. Você tem uma coragem que eu não tenho, mas...
_Mas? Fala!
_É... Isso foi um pouquinho egoísta, sim.
_...

Droga! Como essas coisas fazem a gente pensar.

Então me lembrei de um diálogo antigo, com um outro amigo.
_Você parece uma menina santinha... Com um véu na cabeça... Tão...
_Ah, eu não sou assim.

***

Tentei avisar, sabe?! As pessoas tem essa mania (deprimente!) de me colocar no esteriótipo de boa moça... Boa menina... Boa aluna... Boa amiga... Nunca má.
As pessoas esperam coisas corretas de mim todo o tempo. Como se me roubassem o "direito" fundamental do erro, do equívoco, do pecar. De viver o ser humano falho que eu sou.
Ninguém me perguntou se eu gostaria de ser vista assim. Eu nunca disse que sou/era/fui/serei uma menina tão... Boazinha.

***

Ah, sabem qual é o certo?
O correto é dar oportunidades pras pessoas, sim. Mesmo que a gente ache que elas não vão merecer ou "fazer por onde". Mesmo que a gente não tenha grande simpatia por elas.
Alguém muito maior e melhor que eu já me deu oportunidade de perdão. E eu absolutamente não merecia. Minhas atitudes hoje só provam que continuo não sendo digna dessa misericórdia.
Então eu estou escrevendo "só" para me desculpar.
Porque eu fui, sim, egoísta. E eu não soube perdoar. Fui uma pessoa malvada.
Porque só pensei em trabalho... Em notas... Em coisas visíveis e passageiras.
Não lembrei o que realmente é importante, louvável e tem valor.
Tomei o caminho que parecia o melhor e não o mais justo/correto.

***

Por hora, acabei de falar. Amanhã me desculpo direitinho.
Ah, e se você não sabe sobre o que eu escrevi ignore e vá ler e comentar o texto abaixo.
É melhor.

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DEDICADO A:

Clara C., Gabriel R., Clara A., Rafael Augusto, Marcos Raphael e Marcus Vinícius.

Com todo carinho.
Ou quase todo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

REGRAS FUNDAMENTAIS PARA AULAS DE FÍSICA


C = A + ΔP, onde C é a conseqüência da atitude do aluno (A) + a atitude do professor (ΔP).
Vamos ao exemplo clássico da turma 21A.

C = A + ΔP
C = Aluno conversando muito + Professor tentando dar sua aula.
C = Uma pequena confusão durante a aula.

Sendo 21A uma turma de cerca de 30 alunos, temos que:

C²¹ª = 30A + ΔP
C²¹ª = 30 alunos não calando a boca + Professor tentando dar sua aula.
C²¹ª = Constante bagunça nas aulas.

Logo, C da 21A é, em média, negativo.

Vamos agora usar o raciocínio acima aplicado a 17ª Lei de Einstein.
Sabe qual é?

“Passar de série” = N * ΔC, onde N representa a nota de um aluno e ΔC = C da turma + C do aluno.

Em outras palavras:

“Passar de série” = Nota do aluno (Comportamento da turma + Comportamento do aluno)

Quanto menor for ΔC, menor será N. Admitindo um ΔC negativo (como o do exemplo acima) e que N é obrigatoriamente positivo percebemos que “Passar de Série” para 21A é negativo.

Depois de tudo isso, entendo porque os alunos devem manter silêncio durante as aulas de Física. A punição ao infrator dessa regra fundamental está em seus resultados finais. Ou na DAE, claro. Mas isso vai depender do ΔP

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NOTA DA AUTORA (I):
Esse texto é cheio de “piadas internas” e foi feito para uma tarefa do colégio.
21A é o código da minha classe: Ensino Médio - Primeiro Ano - Turma A. Pelo texto você pode imaginar como os alunos são aplicados, não é?!
DAE (Diretoria Adjunta de Ensino) é responsável, no colégio, por “controlar” o comportamento dos estudantes. Ser mandado para DAE, no caso, é o mesmo que ser mandado para um castigo, uma punição.
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NOTA DA AUTORA (II):
Perdão, leitor (se você existir e estiver ai lendo isso), por desaparecer novamente. Mas vá se acostumando. O Ensino Médio é um ladrão de ócio.